De folga do trabalho nesse fim de ano, fiquei aqui pensando que dias mais curiosos passei também nestes últimos meses de vida. Teve um pouco de tudo, e tanto, e tão intenso, que certamente os meus 35 anos - que só pareciam a tragédia anunciada dos 40 chegando - acabaram se tornando um marco. E dos mais engraçados, como daqueles que só eu consigo viver no mundo.
Comecei 2011 ficando doente. Numa casa agradável e linda de praia com a família. De certa forma, apesar de todo o sufoco, acabei cuidando mais da minha saúde e alimentação, a partir dali. Meu tratamento mudou, tomei muito, mas muito remédio, tive recaídas ao longo do ano por conta disso, cheguei a operar até. Descobri alternativas novas. Mal poderia imaginar que tudo isso aconteceria em tão curto espaço de tempo.
O tempo também foi de perder roupas. Fiquei mais magra - e não que eu quisesse isso, não dessa forma. Fui gradativamente eliminando quilos e mais quilos, se não me engano, mais uns 15 de janeiro pra cá. Por outro lado, foi estranho me olhar no espelho e me redescobrir, me achar interessante de novo.
Trabalhei bastante, como não poderia deixar de ser. E embora ainda sofrendo por estar longe da família em datas fundamentais, dei o meu jeitinho de driblar a tristeza. Sempre dou. Sempre foi assim. Persegui musas, conheci as belas dinamarquesas do futebol, falei com mulher piloto de teste de caminhão, virei orientadora de público em jogo do Corinthians e até "apresentadora virtual" de programa de humor com música brega. E até que foi incrível a descoberta.
Principalmente a descoberta de pessoas inimagináveis, sensíveis, pelo método mais gélido possível: a internet, de uma forma geral, foi o veículo para me levar e buscar dos lugares mais inusitados com pessoas que aparentemente eram robôs carinhosos pra mim. Virei até amiga e conselheira de alguns. Coisa fantástica essa tecnologia que nem existia, quando nasci...
Mas só para variar, essa tecnologia a qual demorei tanto a me render também trouxe de volta rostos e corpos que eu não esperava encontrar de novo nessa encarnação, ao menos. Chegamos a prometer um bailinho entre os amigos de colégio que há muito, estavam afastados. Coisa de louco.
Na família, teve viagem longa de mamãe (um mês sem ela foi muito trash!), babado, confusão, doença, as usual. Perdi pessoas queridas. Mas é o reflexo do tempo implacável que faz a gente perecer sem muita piedade. Seja para sofrer, seja para assistir sofrimento.
E para amenizá-lo, uma ótima viagem de férias, a descoberta de um spa para desintoxicar o corpo e a cabeça e shows. Muitos shows. Acho que nunca fui em tantos em um só ano. E cada um com uma experiência, um momento de choro, outro de euforia, e muitas, muitas histórias pra contar. De Amy Winehouse a Stevie Wonder, muitos dos meus sonhos musicais viraram uma realidade lindamente melódica, no decorrer dos meses.
Vi crianças serem geradas e nascerem, antes do ano virar. Dei um milhão de primeiros brinquinhos para as muitas meninas que vieram, uma loucura. Até comecei a especular a geração de uma, para o ano que nasce. Quem sabe?
Tentei, juro, fazer o bem. Doei, emprestei, dei, entendi, compreendi, escutei, falei, agi. Até ajudei amiga a tentar se arrumar em barcas anunciadamente furadas, como se estivesse fazendo o cupido em 1990. Mas tudo por amor, tudo na confiança de fazer o melhor por ela. Por elas.
Passei muito tempo no computador e menos caminhando. Foda. Mas acho que é a rotina de quase todo mundo também. Comi coisas incríveis, descobri novos gostos, apurei meu paladar pra coisas que não fossem só servidas em espeto na churrascaria. E foi bacana até.
Bati o carro. Consertei o carro. Gastei muito dinheiro. Guardei um pouquinho depois. Li muito. Vi muita novela. Ouvi música todo dia. Comemorei o Corinthians campeão, torci com o Santos no final com o marido, e passei mais um ano descobrindo que sim, o futebol é paixão, e não só entretenimento. Ao menos, pra mim.
Mas no fim das contas, meu saldo deve ser bom. Porque amei muito. Incondicionalmente. Como só uma Juliana como eu consegue. E quando eu falo de amor, não é só o sexual. Falo de paixão na vida, nas coisas, na tolerância que eu procurei trabalhar pra viver melhor e mais intensamente. E na magnitude que existe em exercer essa função, sem olhar muito bem a quem, nem como. E me sentir realizada até mesmo no momento de meus atos exagerados, das minhas vontades exacerbadas.
No fundo, eu só queria rir e fazer rir. Acho que consegui. Afinal, sempre é tempo para descobertas. Até as imperfeitas. Como eu sou.
0 comentários:
Postar um comentário